sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sexo e Obsessão


Dois assuntos frequentemente discutidos em todas as casas espíritas e fortemente presente em nossas vidas, sexo e obsessão são temas de grande importância. Lidar com estas questões muitas vezes pode ser doloroso e temeroso, mas não se pode deixa-los de lado ou para depois, é preciso encara-los de frente e trata-los com seriedade, independente da nossa condição frente à eles.

Este foi o primeiro livro que li do espírito Manoel Philomeno de Miranda, especialista no tema obsessão, em seus mais variados ângulos, e que nos oferece em suas obras (em sua totalidade psicografadas por Divaldo Franco), um vasto campo de estudo a respeito deste tema, muito presente no dia a dia das casas espíritas e de um sem número de pessoas que, em sua maioria, desconhecem esta realidade.

O sexo, em si, é um tema que causa reações diversas quando debatido, dependendo do ponto de vista, e que tem um impacto enorme em nossas vidas quando conduzido de maneira inadequada, e este livro retrata bem este fato. Muitos de nós não temos a correta noção de como o nosso comportamento e pensamentos influenciam a nossa condição enquanto espíritos no que diz respeito a este tema, estejamos encarnados ou não.

Talvez soe como lugar comum ou até mesmo um discurso moralista, mas é difícil não fazer um pequeno comentário a respeito do tema do ponto de vista da Doutrina Espírita. O Livro dos Espíritos nos esclarece, entre as perguntas de número 200 e 202, a respeito do gênero sexual dos espíritos e sobre a sua escolha em cada período enquanto encarnado. É preciso desvincular a ideia de gênero sexual para ampliar nosso entendimento a respeito do tema, isso nos ajuda a melhor compreender a real função do sexo em nossas vidas, enquanto criaturas eternas.
A conduta moral de cada um está intimamente ligada ao seu comportamento sexual, e o sexo - quando desvirtuado - transforma-se em elemento dificultador (de enormes proporções) para nosso progresso pessoal; por isso, ao buscar uma conduta apropriada, nos colocamos em condições de progredir com segurança e de maneira sólida e consistente.
Até não muito tempo atrás a poligamia era comum e aceita em muitas regiões do planeta (no momento em que escrevo este texto ainda existe em alguns países), porém, com o progresso da humanidade e melhoramento de sua conduta moral esta prática tem se tornado cada vez mais incomum e desaprovada pela maioria das pessoas, ainda que em uma sociedade machista como a dos dias de hoje muitos homens fantasiem possuir seu harém pessoal o consenso geral é de que esta é uma prática não aceitável nos dias de hoje. Note que, destaco a palavra melhoramento, pois ainda estamos um tanto quanto distantes de uma condição moral ao menos próxima da conduta exemplificada por Jesus, enquanto referência moral para a humanidade. Atualmente a monogamia se estabeleceu como prática comum para a sociedade vigente, e isto é prova de como nosso progresso moral é inevitável, pois todos estamos destinados ao progresso, sem exceção. Nosso saudoso Chico Xavier já nos aconselhava no que diz respeito ao correto uso de nossas potencialidades genésicas (vide Pinga Fogo, o trecho também é exibido no filme Chico Xavier), fonte de imensa felicidade quando plenamente aplicadas, comentando a respeito das enormes possibilidades quando exploramos nossas potencialidades de maneira adequada.

Este é um tema muito extenso, difícil de ser tratado em poucas linhas, como tenho feito nas postagens anteriores, mas é um tema muito fascinante e importante, e tenho certeza de que muitas pessoas são diretamente influenciadas por este tema, positiva e negativamente.

Uma das grandes lições que o livro nos trás é de que o sexo não deve ser fonte de prazer vulgar. Manoel P. Miranda nos descreve uma cidade em que vários espíritos se reúnem para trocar experiências, no mínimo, estranhas. Ao ler este livro pode-se facilmente fazer um paralelo com situações do nosso dia a dia, ainda que a realidade de muitos de nós seja bem diferente, acredite, muitos vivem situações semelhantes no plano físico. Bem sabemos que, enquanto dormimos, nosso espírito se desprende da matéria, visitando ambientes diversos, se vinculando a outros espíritos em sintonia com nossos pensamentos e alinhados com nossa condição moral no momento. Assim como frequentamos ambiente com os quais nos sentimos bem em nosso dia a dia (sejam eles agradáveis ou não), como restaurantes, casas de amigos, boates, etc. fazemos o mesmo enquanto desprendidos do corpo. Pense, com o que e quem você mais tem afinidade? Em que você mais pensa no seu dia a dia? Quais são seus desejos, objetivos e metas? Agora imagine-se naquela "balada" que você costuma (ou costumava) frequentar, imagine também aquela festa de carnaval. Não é difícil adivinhar os pensamentos que estão no ar, as intenções das pessoas naquele ambiente, certo? Agora imagine-se, por exemplo, em uma cidade qualquer que sofreu um desastre natural, trabalhando com um grupo de voluntários que visitam pessoas desabrigadas, distribuindo donativos e palavras de conforto e encorajamento, dá pra imaginar os pensamentos reinantes no momento, naquele ambiente e entre aquelas pessoas. Enquanto espíritos desprendidos da matéria nos encontramos em uma condição de liberdade (não ilimitada) de tal maneira a nos permitir tomarmos atitudes que realmente queremos e que se alinham com o nosso real estado moral; por isso se nos compraz estar em lugares com os quais temos maior afinidade, certamente lá estaremos. Uma cidade onde as mais esdruxulas e inimagináveis fantasias sexuais se tornam realidade é o lugar para onde muitos "escapam", de maneira a extravasar seus mais íntimos pensamentos e torná-los possíveis, com outros espíritos (que todos somos) com as mesmas intenções e afinidades. Este livro não apenas nos descreve situações semelhantes, mas também como o trabalho de incansáveis benfeitores contribui para que estes espíritos sejam ajudados, de forma a se libertarem desta prisão, que possui correntes muito difíceis de serem partidas e que causam uma paralisação considerável em seu estado evolutivo.

Como o próprio Manoel menciona no prefácio, o livro pode chocar o leitor em muitos de seus trechos, por descrever situações de conteúdo forte e assustador, chegando até a fazer com que algumas pessoas classifiquem o livro como fantasioso e fruto de fértil imaginação. Conheço pessoas que sequer conseguiram finalizar a sua leitura, por sentirem-se desconfortáveis com o relato apresentado. No entanto, recomendo fortemente a leitura, pois trata-se de um assunto muito importante para os dias atuais; ao finalizar a leitura, com espírito crítico e com o intuito de buscar o aprendizado sincero, certamente fará muita diferença em seus conceitos a respeito do assunto.

Certa vez ouvi de uma colega em uma casa espírita que sempre nos sentimos pouco à vontade quando lemos ou ouvimos a respeito de um tema com o qual tivemos grande dificuldade em encarnações passadas, me fez pensar e, apesar de não possuir argumentos comprobatórios no momento, não posso descartar esta hipótese. Independente de como você se sinta ao terminar a leitura, leve consigo a lição de que o sexo não deve ser vulgarizado, e que sempre haverão espíritos simpáticos prontos e dispostos a ajudar àqueles que, sinceramente, buscarem auxílio.

O volume que tenho em mãos é a 4ª edição, de 2002, da Editora Leal.

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