domingo, 12 de fevereiro de 2012

Dramas da Obsessão

Quando se diz que esta é uma obra de expressão doutrinária não é pra menos. Dos poucos livros espíritas que li todos sempre me trouxeram algo positivo, que acrescentaram à minha evolução pessoal no sentido de agregar conhecimento para a prática Cristã em sua pureza, que a Doutrina Espírita nos oferece, mas poucas obras conseguem expor de uma maneira tão precisa a respeito de determinados assuntos. O espírito Bezerra de Menezes - com sua simplicidade e sabedoria - nos presenteia com estas páginas tratando do assunto obsessão.

Duas interessantíssimas histórias (reais) nos são contadas neste singelo volume de 231 páginas; a primeira, Leonel e os Judeus, narra o drama de uma família Judia nos tempos da inquisição em Portugal, duras provações envolveram estes espíritos, e não é fácil imaginar a dor que enfrentaram durante tanto tempo. Ao ler esta história e pensar em nossa própria condição nos dias de hoje, quando muitos reclamam de suas dificuldades (não desmerecendo o sofrimento alheio, é claro), mas que poderiam muito bem ser enfrentados com uma postura diferente, com mais coragem e abnegação, vejo que outros passaram (e ainda passam!) por problemas e dificuldades bem maiores. Sim, sei que não é fácil colocar o discurso em prática na hora da verdade, mas as situações vividas por esta família Judia nesta época, trazida para os dias atuais, certamente deixaria a maioria de nós extremamente revoltados e com um sentimento de injustiça difícil de mensurar. Sem falar que, certamente, agiríamos da mesma maneira, como nos conta Bezerra de Menezes.

A segunda história, A Severidade da Lei, deixa bem claro como a lei de causa de efeito funciona, independente de quem a desobedece. Erros graves cometidos no passado pelos personagens da história resultam em consequências dramáticas no futuro e, para quem desconhece o histórico, a sensação de injustiça é o que logo vem à mente das pessoas, que pensam: afinal de contas, onde está a justiça Divina que não se manifesta nestas horas de dores em favor de pessoas tão boas e íntegras?

Ambas reforçam o conceito da lei de causa e efeito, que muitos de nós ignoramos em nosso dia a dia. Por isso, quando ver alguém (ou até mesmo você) passando por uma dificuldade que mais se parece com injustiça, reflita, pense no assunto considerando o ponto de vista da lei de causa e efeito. Será que não cometemos algum deslize grave em vidas passadas que justifique o momento? Será que vale a pena continuar sustentando a idéia de que somos muito bons e não merecemos passar por tais provações? Porque não resignar-se e enfrentar? Realmente não é fácil agir com resignação quando não conhecemos o que aconteceu em outras existências, e se para muitos Espíritas este é um exercício de elevada dificuldade, imagine para aqueles que sequer acreditam que passamos (e ainda vamos passar) por várias existências?

Portanto, quando estiver em sofrimento profundo ou enfrentando dificuldades que mais parecem um grande golpe do destino, pense consigo mesmo de que maneira deseja enfrentar a situação, resignar-se e encarar o problema de frente, de modo a reerguer-se, ou continuar com a postura de revolta, sentindo-se  vítima de algum ser superior (ou inferior?) que decidiu lhe castigar injustamente. Isto vale também para os outros com quem convivemos, sejam pessoas próximas, amigos ou até mesmo desconhecidos. No entanto, lembre-se de que, apesar das dificuldades que todos passamos não quer dizer que estejamos impedidos de oferecer ajuda a quem sofre, aliviar o sofrimento do próximo é dever de todos, e o auxílio de forma alguma impedirá que colhamos os frutos das sementes que plantamos, pois a justiça divina se fará cumprir, ainda que não consigamos compreender completamente seus mecanismos e meios.

Estacionar ou avançar, qual será a sua escolha?
Quebrar o ciclo, como os personagens destas duas histórias fizeram, deve ser o melhor caminho a ser seguido, pense a respeito.

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