Certos espíritos (e porque não dizer pessoas) realmente carregam em si uma espécie de experiência diferenciada. Sim, experiência. Não acredito que as diferenças que encontramos entre nós são provenientes de privilégios simplesmente reservados a determinadas criaturas que foram escolhidas para conduzirem uma massa de incautos. Não, não creio. Acredito apenas que estejamos em estágios distintos, uns no jardim, como inocentes crianças que se permitem cometer os erros aparentemente mais absurdos, porém plenamente justificáveis, devido à sua pouca idade e experiência; enquanto outros, já na universidade, avançados em conhecimento e experiência, mas nem por isso tão superiores que não possam aprender com os pequenos.Assim é Teresa, um espírito que traz uma bagagem incrível, por ter vivido experiências belíssimas em muitos lugares, dentre eles as ruas de Calcutá. Digo belíssimas pois quando entendemos que o amor ao próximo e o desejo de auxiliar desinteressadamente ganham sentido abre-se um novo mundo diante de nós, quando somos realmente capazes de praticar o desapego às coisas materiais e enxergar com outros olhos o que realmente importa.
Confesso que tinha outra ideia a respeito de Teresa antes de ler este livro. Não somente por desconhecer sua história de vida, mas pela imagem da freira dedicada, sempre disposta a ajudar os menos favorecidos e com um olhar carinhoso que estampava em seu rosto a figura de um doce de pessoa, do tipo que dá vontade de sentar ao seu lado e ouvir suas palavras e conselhos, indefinidamente.. No entanto, depois desta leitura, meu conceito se transformou. A imagem de serenidade e doçura não desapareceram, mesmo porque não acredito que possam ser dissociadas da imagem de Teresa, mas pude conhecer seu lado firme e direto, aquele que se pauta pela postura de quem sabe muito muito o que quer (e precisa!) fazer. Certamente este lado incomoda a muitos, que estão em suas casas confortáveis e plenamente indispostos a enfrentar os ambientes que pouco lhes agradam em nome do auxílio aos que realmente precisam.
Como ela diz, é preciso revistar o Cristianismo que se vive nos dias atuais. Muita aparência e pouca ação. Enquanto milhões partem desta vida sem sequer ter tido uma ponta de auxílio dos mais favorecidos e plenamente capazes de, pelo menos, aliviar seu sofrimento.
É preciso ler para entender (ou pelo menos tentar) a profundidade de suas palavras. Não basta oferecer uma ajuda esporádica ou praticar pequenas contribuições financeiras programadas, é preciso que estas palavras sejam plenamente compreendidas por nossos espíritos pois, no amanhã, talvez sejamos nós aqueles que precisem desesperadamente do olhar doce e sereno, e ao mesmo tempo, firme e austero daqueles que se doam e auxiliam com extremo amor.
